A semana passada instalei aqui no escritório o Firefox, o Skype e o Gmail. Três produtos simples, grátis e o mais importante – funcionam maravilhosamente. Na sexta conheci um indiano que estava a trabalhar para uma empresa de software (como cada vez mais milhares de pessoas na Índia) e ele só trabalhava em software open-source. Ora por aqui no Santa Bárbara ninguém pensa que nada cai do céu, e ao início esta coisa do open-source e tudo grátis e aberto metia-me impressão: soava à típica “revolução que vai dar cabo das multinacionais” e que afinal nunca mais dá (diziam a mesma coisa do mp3). Mas a verdade é que os programas funcionam mesmo bem (ao contrário, por exemplo, do Explorer e do Word, que ainda por cima se pagam) e contra isso não há argumento possível: o indiano dizia-me depois que “no futuro vai ser tudo grátis. Queres um programa e vais buscá-lo à Internet, sem CDs de instalação e sem pagar mais por isso.” E para mim isto começa a ter muita lógica, não porque represente o fim do capitalismo electrónico, mas precisamente porque só é possível num sistema concorrencial feroz, sim, mas sobretudo dinâmico e liberal, e que no fim de contas beneficia o consumidor, i.e. a Humanidade em geral. As empresas passam a dar os programas e a cobrar pelos serviços – é o fim, não do capitalismo, mas da pirataria! (e dos marroquinos que vendem software a 5 euros nas ruas de Roma...). O capitalismo é o caos – é imprevisível, mas geralmente mais benéfico do que aquilo que se faz crer. Quanto a mim é simples: quanto mais gente usa um produto mais este ganha valor, e a maneira mais eficaz de fazer com que ele seja usado é dá-lo.
O Blogger, por exemplo, está muito melhor e ao contrário do que se passava há um ano atrás não se paga pelas imagens e não há publicidade. O nosso miserável Clix, pelo contrário, dá-nos um restyling, publicidade, lentidão, bugs, SPAMs e uns avarentos 5Mb – já não há paciência e por isso mudei para o Gmail.
Não sei se há ou haverá programas de open-source para arquitectura (se alguém souber, avise sff), e ao contrário do indiano e de outros que tenho conhecido não gosto de fazer profecias (a dada altura ele sai-se com “e daqui a dez anos a Microsoft vai acabar ou tornar-se aberta!” - estava-se mesmo a ver...). Nem imagino muito bem como é que é possível desenvolver programas profissionais tipo Autocad, Photoshop e Rhino sem cobrar por eles... A ideia vendida pelos open-sourcianos de que toda a gente contribui globalmente para o bem comum também não me convence lá muito - para mim são mesmo o pilim e o amor que fazem a diferença, não a boa-vontade. Mas para já dou o braço a torcer e espero mais maravilhas da técnica. À borla.
E acrescente-se, uma grande lingua de fora ao Publico, por, precisamente nesta altura, começar a fazer pagar um produto que antes dava.
1 comentário:
Primeiro foi o AutoCad a tirar o lugar ao ArchiCad; depois, surpresa das surpresas, foi o PC a tirar o lugar ao Mac (ou pelo menos a promessa ficou feita); depois o Gmail, e agora o Firefox!!!
A vida dá umas voltas...será que a tua mudança de visual originou uma pequena revolução nas tuas células cinzentas? Qualquer dia escreves uma "Ode ao Corbu"...
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